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HUMOR Raulzito
O colunista bem que podia ter ficado na sua, ou deixado pra falar mal do Big Brother, do Felipão, do Romário chorando ou de qualquer outro assunto distante quilômetros da rua da Tábua. Falar da Garanheta é uma heresia! E Raul teve a resposta que merecia. Nada menos que 24 e-mails, 24 cartas pelo correio, 24 fax e 24 bilhetes desaforados entregues diretamente à Gráfica Primeira Mão chegaram à redação do jornal, protestando contra a falta de patriotismo, nacionalismo e bairrismo do escriba. "Tu é muito é corno. Fica em casa e manda a Viviane pra avenida, que eu quero mostrar o bicho a ela", foi uma das missivas mais gentis recebidas pelo Raulzinho. "Bin Laden filho da mãe, por que tu não vai morar em Caruaru e trabalhar na TV Asa Branca, perto daquelas repórter chatas que vivem esnobando Garanhuns", disse outro indignado defensor da garanhagem local. Quem pensava que Raulzito era insensível precisava ver o estado de ânimo do pseudo jornalista, depois da saraivada de críticas. O cara entrou em depressão e chorou mais que o baixinho pedindo uma vaga na seleção. Prometeu, então, tentar gostar da garanheta pra não ficar de mal com os seus amados leitores. E disse que "pensando bem, o nome não é tão ruim assim. Tem Ga que lembra a cidade das flores, o relógio, a nova entrada da cidade. E tem o nheta que pode ser associado a momentos de reflexão; um som que lembra baioneta e sua importância nas guerras do passado; que remete ainda ao eta do sexo feminino, à flor, fantasia, alegria, prazer". "Pensando bem - prosseguiu o colunista - nada é mais lindo do que aquelas crianças de 15/16 anos pulando, sorrindo e cantando aquelas letras modernas, bem sacadas, inteligentes, inocentes, puras..." Com um pouco mais de esforço Raul convenceu a si mesmo que a Garanheta é um "mal necessário". "Por conta dessa festa o povo ficará feliz, mesmo que na sua rua falte calçamento e saneamento", filosofou o colunista. Completamente diferente do Raulzinho da última edição, chegou à conclusão de que até o comércio sairá ganhando com o carnaval fora de época local. "É que na farmácia Maurício Permanente me disseram que a venda de camisinha aumenta 200%", explicou o atordoado colaborador do Correio, mas parecendo político que trocou de partido como quem troca de cueca. - Viviane, coloca aquele short de novo e vamos pra garanhagem! Hoje a festa só termina depois das três da manhã, lá no excali-mato, e o bicho do pirata vai te pegar! E tem outra coisa: "corno e veado é a mãe!", desabafou o Raul, com o perdão dos leitores. |
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