CIDADE

 

Padre Carlos já fala em voltar a Garanhuns

Desde o ano passado fazendo mestrado em Roma, o padre Carlos André já prepara sua volta para Garanhuns, em 2003, confessando estar com muitas saudades da Suíça Pernambucana e de todo o Nordeste do Brasil. "Eu tenho possibilidade de passar aqui mais dois anos, fazendo doutorado, mas prefiro voltar para viver na região nordestina", disse o ex-paróco da Boa Vista, que foi entrevistado pouco antes da Páscoa pelo radialista Marcos Cardoso, da Rádio Jornal.

"É lá que eu quero viver, trabalhar e morrer", declarou padre Carlos, acrescentando que foi no Agreste de Pernambuco, principalmente em Garanhuns, que aprendeu a conviver com as pessoas e a ter fé. O religioso confessou sentir muitas saudades da cidade, principalmente do contato com as pessoas simples do povo e da festa de São Sebastião. "Tenho saudade de ir na casa dos amigos ou amigas e comer aquela galinha com cuscuz", complementou.

DIFICULDADES - Na entrevista, padre Carlos revelou as principais dificuldades que enfrentou na Itália, principalmente nos primeiros dias. O religioso disse que ficou doente na primeira semana, pouco depois perdeu a sua avó, aqui no Brasil, e posteriormente foi informado da doença grave do seu irmão mais novo. "Cheguei a ficar em discussão com Deus, mas rezei e depois recebi a notícia de que o tumor não existia mais", frisou.

O ex-paróco da Boa Vista falou ainda da campanha da fraternidade deste ano, considerada por ele como oportuna, pois os índios, no seu entender têm sido marginalizados nos 500 anos da história do Brasil. "A Igreja não deve somente pedir perdão, mas resgatar a dignidade dos indigenas", declarou.

O religioso acha que a Igreja Católica precisa ser mais aberta, como defendia o papa João 23. "Sozinha, fechada, não vai conseguir resolver os problemas", explicou, pregando o diálogo da igreja com a comunidade científica, os evangélicos, os hindus e outra correntes religiosas. "A melhor religião é aquela que te faz melhor", citou padre Carlos, lembrando um encontro com um líder hindu, em Roma.

POLÍTICA - Questionado por Marcos Cardoso sobre os rumores de uma possível candidatura sua à prefeitura de Garanhuns, Pe. Carlos André lembrou que nunca, seja nas rádios ou jornais locais, disse que seria candidato a qualquer cargo. "Antes de se preocupar com candidatura, é preciso saber o tipo de líder que ser quer", observou, dizendo ser inadimissivel que um homem público, ou a própria Igreja, não trabalhem de forma comunitária.

"A confiança não é na batina. A questão é se é líder, se é honesto e sabe administrar", prosseguiu o religioso, que chegou a citar bons exemplos de administração vindos da Igreja. "Padre Aldo, por exemplo, fez uma revolução em São Bento do Una. E tem também o padre Cícero, santificado pelo povo e que fez Juazeiro crescer", ressaltou.

Padre Carlos André revelou que está sempre acompanhando as notícias de Garanhuns através do CORREIO SETE COLINAS, na Bluenet, e de Pernambuco, pelo JC On Line.