CIDADE

 

Promotor exige mais segurança e critica presídio feminino

Há cerca de 15 dias Garanhuns registrou uma das semanas mais violentas dos últimos meses, quando numa espaço de quatro dias ocorreram três homicídios que abalaram a população, como o caso do moto-taxista que foi assaltado e morto. Diante deste quadro, onde a Policia Militar contabilizou, nos três primeiros meses deste ano, nove homicídios e 13 roubos, o Promotor de Justiça, Alexandre Augusto Bezerra, afirma que a população deve procurar as autoridades e exigir providências, para que o Governo do Estado melhore a estrutura operacional das delegacias, que, hoje, trabalham precariamente, e aumente o efetivo dos policiais civis nas ruas, que está deficitário em 500 homens, na região do Agreste Meridional. Em entrevista concedida à jornalista Núbia Kênia, do CORREIO SETE COLINAS, o promotor fala da criminalidade, da situação do Presídio Feminino, grupo de extermínio e de outros assuntos referentes à segurança pública de Garanhuns.

CORREIO - Como está sendo combatido o crime em Garanhuns, já que a policia alega não ter como elucidá-los por não ter nem combustível para trabalhar?
Dr. ALEXANDRE - "É muito difícil combater o crime. Primeiro porque o crime não tem dia nem hora para acontecer. O indivíduo sempre pratica o delito na esperança de nunca ser descoberto. Isto já é um diferencial, um fator complicador. Mas aí estão as instituições que têm a obrigação de investigar, e de até impedir a ocorrência desses delitos. Embora saibamos que existe uma deficiência estrutural. Faltam meios materiais e humanos. Os policiais são mal remunerados, e estão desmotivados, deixando de fazer aquilo que normalmente estariam obrigados a fazer. Além disso, recebem uma carga de trabalho muito grande, e às vezes não conseguem administrá-la".

CORREIO - O que está sendo feito para esse quadro melhorar?
Dr. ALEXANDRE - Aqui já deveríamos ter uma delegacia especializadas em homicídios, e uma destinada a atender a mulher, ambas iriam melhorar a segurança no município. Estive reunido com o Secretário de Defesa Social, Gustavo Lima, e as promessas existem, por parte do Governo. Está programada para o segundo semestre deste ano à inauguração do que "eles" chamam do "Núcleo de Segurança Integrada" ou "Polícia Comunitária". As cobranças de nossa parte estão sendo feitas. Agora, a sociedade precisa se mobilizar, se reunir, se agrupar, e cobrar das lideranças políticas, como o prefeito Silvino, Vereadores e Deputados da região, inclusive porque foram eleitos com votos da população. O município não pode se eximir dessa responsabilidade, porque essas questões são resolvidas politicamente, e não são resolvidas juridicamente. Não depende de uma ação do Promotor de Justiça, não depende de uma decisão do juiz. Depende da vontade política.

CORREIO - Como melhorar o desempenho do policial?
Dr. ALEXANDRE - Tem que motivar o policial; ele carece de reconhecimento pelo trabalho que executa. Então, para otimizar mais seu trabalho a Câmara de Vereadores de Garanhuns, através do vereador Daniel da Silva, conseguiu a aprovação de uma Lei que vai agraciar com uma honraria o policial que se destacar em suas atividades. Anualmente essas entidades apresentam um membro de sua equipe, seja da Policia Civil, Militar, Rodoviária Federal, Exército ou Corpo de Bombeiros, que receberá a Medalha "Cabo Cobrinha" (Foi um policial que defendeu Garanhuns na época do "Hecatombe").

CORREIO - Apesar dos últimos crimes ocorridos nos três primeiros meses deste ano (09 homicídios e 13 roubos), houve uma redução de crimes, se comparado ao mesmo período do ano passado (15 homicídios e 17 roubos). Por que?
Dr. ALEXANDRE - Porque houve uma repressão maior. Houve a desarticulação do grupo de extermínio, onde de qualquer forma se produziu um efeito intimidativo nas pessoas que estavam agindo impunemente, livremente. Apesar de tudo, a policia está fazendo um bom trabalho, como a prisão de mais de oito detentos da penitenciária de Canhotinho, que tinham "regime de semi-liberdade", saíam da área de custódia durante o dia, e vinham para Garanhuns praticar roubo de cargas, lojas, carros etc.

CORREIO - Quais as circunstâncias em que a população deve procurar o MP?
Dr. ALEXANDRE - A Promotoria de Justiça é o último recurso. O procedimento natural é que o cidadão procure à polícia, mas se a polícia não atende a reivindicação, o cidadão deve se dirigir ao Ministério Público (MP). O promotor tem como obrigar o delegado de policia e aos policiais militares a atuarem de acordo com suas obrigações, porque a promotoria exerce o que podemos chamar de controle externo de atividade policial. Então, tudo que o policial faz está sob observação do MP. Agora até para se punir os maus policiais, a Promotoria de Justiça depende da denúncia do cidadão, para assim se coibir o abuso de autoridade, e as práticas criminosas eventualmente cometidas por policiais.

CORREIO - Como a policia está se empenhando para coibir o crime na cidade?
Dr. ALEXANDRE - Existe esforço por parte do comandante do 9º Batalhão, Major Veloso, do Tenente Hudson de Souza, do delegado Jorge Cordeiro, que fez um bom trabalho na apuração do crime dos irmãos Cardoso, e também do delegado José Roberto, que está atuando mias voltado para a área da infância. Agora, volto à questão das deficiências. Como é que um delegado de policia tem condições de trabalhar se a equipe dele, durante o dia, é composta por dois ou três policiais... quase não existem condições de trabalho. As delegacias estão sucateadas. Existe um déficit de 500 homens no 9º BPM, que atende toda região. Não se privilegia a investigação cientifica; não temos peritos aqui. Melhor do que uma testemunha é uma perícia. Existe uma reivindicação de um Instituto de Criminalística para congregar os peritos e existe, também, a solicitação para médicos legistas para Garanhuns, mas não temos nenhuma previsão de instalação.

CORREIO - E sobre o Disk- Denúncia, vai ser implantado ou não?
Dr. ALEXANDRE - Estou tentando implementar. Já estive reunido com comerciantes da cidade para buscar parcerias, e vê como eles podem colaborar para a implantação desse serviço. A promotoria vai disponibilizar um correio eletrônico, para as pessoas que preferirem fazer denúncias por E-mail. Já mandei contar as urnas para distribuir nos prédios públicos e escolas, para, também, a população poder colocar suas denúncias, que são de vital importância para a apuração dos crimes.

CORREIO - Em relação ao crime do moto- taxista ( Valdeci Rodrigues), do funcionário da Compesa (José Juvino), e do sargento aposentado (Mendes), existem algum suspeito?
Dr. ALEXANDRE - Em todos estes homicídios já temos suspeitos, mas não podemos divulgar seus nomes para não atrapalhar a condução das investigações. È importante ressaltar que se alguém presenciou algum desses delitos, essa pessoa deve procurar o Ministério Público ou um dos delegados de policia para fazer a denúncia.

CORREIO - E sobre o crime dos irmãos Cardoso, o que ficou resolvido?
Dr. ALEXANDRE - Recebi o inquérito policial, e estou oferecendo denúncia ao Juiz, Dr. Joaquim Francisco, da 1ª Vara Criminal. Os acusados pelo crime são o comerciário Roberto Luiz Barbosa, 23 anos, e o garçom Eduardo Correia Honório, 18 anos. Eles serão julgados pelo crime de latrocínio (roubo seguido de morte), já que parte dos objetos roubados foram encontrados com um deles na cidade de Maceió.

CORREIO - Finalmente, o que será feito da Cadeia Pública de Garanhuns, e do Presídio Feminino?
Dr. ALEXANDRE - Sobre a Cadeia ganhamos (MP) o processo contra o Estado, que por sua vez vai ser intimado e pode recorrer da decisão... Mas o que queremos agora não é mais a ampliação e a reforma da Cadeia Pública, e sim a transferência desses presos para a nova unidade que foi concluída recentemente (Presídio Feminino). Enviamos um documento para o Governador Jarbas, através do Secretário de Governo, Dorany Sampaio, argumentando que Garanhuns, por vários motivos, não comportaria um Presídio Feminino. Ainda não obtivemos nenhuma resposta.