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Relembrando Cristina Tive a sorte e o privilégio de conhecer e conviver com Cristina Tavares Correia. Em 1978, então estudante de jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco, conheci a ilustre garanhuense através do livro "Cristina Repórter". Acompanhei sua campanha para a Câmara Federal e terminei sendo seu eleitor. Votei novamente nela em 1982 e acredito que a brava parlamentar tenha sido um dos melhores representantes que Pernambuco já enviou ao Congresso Nacional. Cristina era inteligente, franca, fria, bem informada e coerente. Egressa de família rica, preferiu tomar o partido dos pobres e dos oprimidos. Numa época em que a ditadura ainda censurava a imprensa e tacava o pau nos estudantes, a jornalista e política, natural de Garanhuns, ironizava generais e a elite estabelecida. Uma vez, numa discussão travada no Congresso, o deputado Nilson Gibson, do PDS, lembrou sua origem humilde a parlamentar esquerdista, apontando que esta, Cristina, vinha de família abastada. A guerreira não teve dúvidas: "Concordo com Vossa Excelência, nós somos dois traidores da nossa classe. Eu traí a classe rica, de onde venho, e defendo os pobres; enquanto o deputado, que veio de baixo, traiu o povo e só defende os interesses dos ricos". Assim era Cristina Tavares. Cheguei a fazer campanha ao seu lado em cidades como Capoeiras, Angelim, Calçado, Lajedo... Depois, cada um tomou seu rumo e o egoísmo de Arraes terminou ceifando antes do tempo uma carreira política brilhante. Agora, 10 anos depois de sua morte, relembro Cristina Tavares, uma mulher como poucas. (Comentário lido no Jornal Marano, no dia 25 de fevereiro passado, dois dias depois do aniversário da morte de Cristina. R.A.) |
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