OPINIÃO

 

Saudemos a mulher

Jesus de Oliveira Campelo


No dia oito de março, data em que é comemorado o Dia Internacional da Mulher, queremos prestar nossa justa homenagem às mulheres de todos os quadrantes da terra, e de uma maneira muito especial, às queridas amigas desta bela cidade das flores, a minha querida esposa Iroquinha - companheira de todas as horas - e a minha inesquecível mãezinha que hoje habita outra dimensão. Nesta carinhosa homenagem, queremos ressaltar o valor da mulher na vida do homem, da família e nos diversos segmentos da sociedade. Ela é o elemento gerador da família e a fonte de nossas próximas gerações, razão pela qual deve merecer toda a nossa atenção, todo o nosso respeito, toda a nossa admiração, pois, é sem dúvida alguma, a peça mais importante do conjunto da criação. Infelizmente, muitos homens ainda não reconhecem essas virtudes na sua mulher amada, porque esse comportamento faz parte da natureza masculina, que deseja, sempre, ser reconhecido como o mais forte da espécie e muitas vezes aparentam e até desconhecem o grande valor da mulher em suas vidas.

Nenhum homem gozará de plena felicidade se não for tocado pela influência modificadora de sua mulher amada através do amor e do romantismo. As páginas da história estão repletas de referências a grandes líderes, cujas realizações podem ser atribuídas diretamente à influência de mulheres, que lhes despertaram as faculdades criativas através do estímulo do amor. Como exemplo, citaremos o Imperador Napoleão Bonaparte, que, quando inspirado pelo amor de sua primeira esposa, Josefina foi irresistível e invencível. Cego pelo sucesso alcançado, iludido pela fama, trocou a sua Josefina por outra mulher mais nova, começando daí em diante o seu declínio. A mulher é o símbolo da beleza, da bondade, da graça e da força, detentora de uma fórmula mágica e dona de um jeito todo especial de ser; capaz de desempenhar múltiplos papéis sendo a sua primeira missão a de dar e manter a vida em todas as situações. Pelas suas múltiplas qualidades dentro do lar pode ser considerada administradora de nossa felicidade. Nenhum homem será feliz e nem obterá sucesso se não for contaminado pela influência modificadora de sua mulher. O casamento que não for abençoado pela afinidade eterna do amor devidamente equilibrado e harmonizado não terá felicidade. Homens podem considerar-se verdadeiros gigantes dotados de força e de vontade indomável quando tratam com outro homem, mas, são facilmente domados por sua mulher amada.

E, neste dia em que quase todo mundo homenageia a mulher pela sua extraordinária importância no contexto social, não podemos deixar de louvar e enaltecer as lutas que elas vêm empreendendo, ao longo do tempo, na busca de oportunidades para competir de igual para igual com o homem em todos os segmentos da sociedade. Em todas as épocas da história, a mulher sempre enfrentou sozinha todas as lutas realizadas em prol de sua emancipação, por isso o mérito das vitórias alcançadas lhe pertence inteiramente. Seu primeiro grande desafio foi o da educação, quando na França, no ano de 1861, uma mulher pela primeira vez, obteve o bacharelado. Em 1900, foi criada no Japão, a primeira universidade feminina. Naquele mesmo ano, as mulheres do Egito e da Tunísia tiveram acesso à escola secundária. O discurso, todavia, dominante na época, era que o ingresso das mulheres nas escolas e universidades servia apenas para melhor administrarem seus lares, educarem os filhos e pleitearem o exercício da cidadania.

No final do século XIX, o movimento feminista concentrou suas ações no domínio do trabalho e dos direitos civis. Depois da revolução industrial, a mão de obra feminina foi preferida por ser de ótima qualidade e sub remunerada em relação à masculina. A segunda grande luta, foi para participar da vida cívica que foi iniciada em vários países pela obtenção do direito do voto. Lembramos, com constrangimento, alguns tristes episódios que mancharam a história da humanidade.

Em 1793, a francesa, Olimpe de Gouges, que lançou na França, "A Declaração Dos Direitos Da Cidadã ", reivindicando os direitos femininos para todas as dignidades, lugares e empregos públicos, foi julgada e condenada à morte, tendo sido guilhotinada no dia três de março daquele ano, com alegação de "ter querido ser homem de Estado e ter esquecido as virtudes próprias do seu sexo".

Outra triste tragédia foi a morte das operárias da Fabrica Cotton nos Estados Unidos, em 1857, que foram queimadas vivas por pleitearem uma jornada de 10 horas de trabalho. Em alguns países as religiões predominantes continuam obstaculizando a emancipação da mulher estando ainda muito distante o sonho da igualdade social. No que diz respeito a sua competência, a mulher tem demonstrado ter condições de competir com o homem em todas as áreas de atuação, já tendo sido reconhecida a sua credibilidade. Quando a mulher conseguir ocupar os altos cargos da administração em todos os níveis da sociedade, haverá no mundo paz e justiça social. Parabéns para todas as mulheres.


Jesus Campelo é membro da Academia de Letras de Garanhuns.