POLÍTICA

 

Os políticos e a Universidade de Garanhuns

Municípios como Belo Jardim, Caruaru e Petrolina têm lideranças políticas fortes. Cintra Galvão e os Mendonça sempre souberam lutar e se impor para conseguir benefícios para sua terra. O mesmo pode se dizer dos Lyra e dos Coelho, que contribuem há muito com o desenvolvimento de Caruaru e Petrolina.

Garanhuns, ao contrário, desde que ficou órfão da liderança de José Tinoco e Ivo Amaral, sem conseguir eleger mais deputados, carece de lideranças políticas regionais ou nacionais. Temos, no máximo, lideranças locais, provincianas.

Diante desse vazio de lideranças, políticos de outras regiões aos poucos ocupam cada vez mais espaços em Garanhuns.

Na última eleição proporcional, Armando Monteiro, que é da região metropolitana do Recife, foi o deputado mais votado na terra de Simoa Gomes, obtendo mais de sete mil votos da população do município.

Seguindo o mesmo caminho do presidente da Fiep, o deputado federal Inocêncio Oliveira, que mantém há muitos anos um feudo na região sertaneja, vem tentando aos poucos também ocupar o seu espaço em Garanhuns.

Primeiro, conquistou alguns seguidores na cidade e formou um pequeno grupo político, com nomes que podem até disputar a prefeitura mais tarde. Recentemente, fez uma palestra na CDL local, tendo na oportunidade apresentado um documento bastante objetivo com um diagnótico da realidade do município, acompanhado de algumas sugestões.

A plaquete elaborada por Inocêncio de certa maneira lembrou a agenda Pró-Garanhuns, idealizada por Armando Monteiro.

Como na cidade parece não haver intelectuais, economistas, sociólogos, professores ou mesmo político capazes de estudar os nossos problemas, vêm os de fora e o fazem, com interesses eleitorais, é claro.

A cantiga, neste momento, de Armando a Inocêncio, passando pelo prefeito Silvino Andrade, é anunciar cursos de terceiro grau e até uma universidade para Garanhuns.

O problema é que há mais de 20 anos todo mundo fala nisso. E os novos cursos nunca vêm. pessoalmente, acho que uma universidade representaria uma grande saída para Garanhuns, que está estagnado economicamente, culturalmente, socialmente e politicamente há pelo menos duas décadas.

Quem sabe com escolas de terceiro grau, professores qualificados, intelectuais de verdade, idéias arejadas circulando, jovens ambiciosos em busca da vitória, quem sabe se com tudo isso não teríamos no futuro lideranças menos provincianas.

Aí então não precisaríamos importar líderes de outros centros para vir estudar nossos problemas e nos dizer o que fazer. (R.A.).